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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Butterflies - Capítulo 10


O ano já estava acabando e eu sempre fazia uma análise das minhas conquistas e fracassos, metas anteriores que consegui alcançar e as que seriam adiadas. Pode parecer um costume bobo, mas me ajudava a manter o foco em meus objetivos. 

Revirando a gaveta do meu criado mudo, procurava minhas anotações pessoais que guardava dentro de uma caixa. Era estranho pensar em como aqueles papéis eram fragmentos da minha vida, cheios de lembranças, boas e ruins … algumas que eu realmente gostaria de esquecer.

Olhando para as fotos do meu último relacionamento … sim, eu tinha me livrado de um relacionamento tóxico este ano, de sentimentos fora de controle, da dependência emocional, de obrigações e satisfações. Agora eu controlava minha vida em todos os aspectos e isso me trazia um alívio enorme. 

Eu realmente acreditava que a felicidade, a satisfação consigo mesmo não depende de alguém e que ninguém deveria delegar para outra pessoa a responsabilidade de fazê-la feliz. 

Em meio aos meus pensamentos escuto meu telefone tocando ao fundo. Era o namorado da Andrea. Ela ainda estava em minha casa dias antes do Natal, que já se aproximava. Anotei o recado de Daryl.

Assim que Andrea chegou, avisei à ela sobre o telefonema. Andrea ficava tensa sempre que Daryl ligava e eu ficava espantada em vê-la tão presa à um relacionamento cheio de cobranças.

-Andrea, porque você ainda está com Daryl?
-Porque eu o amo Karen.
Nos sentamos no sofá da sala para conversarmos um pouco.

-Eu entendo amiga, mas que tipo de amor é esse que te enche de exigências, de interrogatórios? Vejo que vocês precisam saber constantemente onde o outro está, com quem está, o que está fazendo … Esse ciúme, essa necessidade de apropriação que vocês têm um sobre o outro … Isso parece tão distante de amor, de cumplicidade para mim.
-Daryl é ciumento Karen, eu também sou e sei que perdemos boa parte do tempo que passamos juntos discutindo sobre isso ao invés de fazer qualquer outra coisa mais produtiva. Ele é uma pessoa muito “reativa" e eu sou muito emocional. Vivemos um relacionamento intenso, mas emocionalmente cansativo … Eu sei. Você já passou por isso e sabe do que estou falando.

-Sim Andrea, mas me livrei dele assim que pude … 

-Se a gente não toma conta, amiga, vem outra mulher e pula em cima do nosso homem!  Sabe Karen … eu não sei como você consegue ficar tão sozinha … Você não acredita em casamento, morar junto?

-Acredito sim, Andrea. Acho que duas pessoas podem sim, se casar, viver juntas … Só não me imagino dentro desse contexto. 

-Mas você quer ficar sozinha para o resto da vida amiga? Pelo amor de Deus!!! Olha para você amiga … Linda … uma mulher interessante, com uma conversa agradável …que cara não iria querer casar com você… E você fica nesse isolamento … Ahhh … deixa … não vou ficar te “jogando confete” à toa. Não te entendo amiga …  

-Obrigada pelo confete - Disse sorrindo para Andrea -Não é querer viver em isolamento. Só acho que não estou preparada, não tenho vontade agora, de compartilhar minha vida com ninguém. Estou feliz comigo assim.

-Eu odeio o Justin pelo que ele fez com sua cabeça. Esse cara era louco e deixou você louca também …

-Foi um relacionamento horrível mesmo … a forma com que ele me perseguia, tinha ciúmes de tudo e de todos … a minha vida era dar satisfações à ele dia e noite. Foi difícil, mas me livrei dele …completamente. Mas ele não me deixou louca - respondi rindo.

-Eu sei Karen. Eu sei amiga. Eu só espero que um dia você consiga se abrir para alguém de novo.

-Quem sabe um dia … Mas não tão cedo.

Eu amava muito Andrea. Éramos totalmente diferentes uma da outra, mas ela me acolhia com sua amizade sincera e desbocada. Eu estava realmente triste porque ela já iria embora.
No dia seguinte e iria visitar meus parentes em Washington e estava ansiosa para vê-los. Falei com Michael algumas vezes, mas não vi necessidade de avisá-lo sobre minha ausência durante esse período. Eu realmente não sabia se ele voltaria a me procurar.



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