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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Butterflies - Capítulo 06




Eu realmente adorava aquelas meninas, poderia passar noites em claro rindo das aventuras em que cada uma delas se metia. 

-E você Karen? Conta uma coisa quente …

-Fogo!!!!

-Ahhhh … Karen, por favor … não é possível que sua vida sexual esteja tão monótona assim!

-Sim … Andrea, um tédio!

Eu não podia sequer pensar em tocar nesse assunto com quem quer que fosse …

        -Você precisa se desligar um pouco do trabalho Karen - me disse Carol - Precisa se divertir conhecer gente nova … Se eu fosse uma loira de 1,75 não estaria bebendo com 2 amigas loucas uma hora dessas. - Concluiu rindo.

Carol era uma mulher cheia de curvas, linda e divertida, mas acho que ela realmente acreditava que ser alta, loira e magra era um passaporte para um relacionamento feliz. E eu tinha certeza de que ela não podia estar mais errada.

       -Você sabe que eu não acredito em relacionamentos, Carol. Os que tive até o momento não tiveram um final feliz. Por enquanto não quero dividir o banheiro e a pia com ninguém, apenas a cama periodicamente. Respondi rindo.


As meninas riram da minha resposta, mas ela foi sincera. Minha vida não estava nada ruim da forma que estava. 

Rimos muito, adorei vê-las e voltei para casa já de madrugada. 

Parada nas escadas da entrada da minha casa, eu não conseguia encontrar a chave de forma alguma e meu celular começou a tocar desesperadamente. Atendi irritada, com todas as minhas coisas caindo e se espalhando pelo chão.

-Karen?
-Michael?

-Desculpa te incomodar a essa hora … Posso conversar com você?

-Claro, não é incomodo algum. Aconteceu alguma coisa?

-Será que eu poderia te ver agora?

-Mas são quase 3:00 a.m. Michael  …

-Não me parece que você estava dormindo …

-Não Michael, eu não estava dormindo - respondi rindo - Tudo bem, mas seu rancho fica há duas horas de Los Angeles, vou demorar para chegar …

-Não estou no rancho. Estou em um hotel aqui em Los Angeles, procure o hóspede chamado Chris, se apresente como advogada dele.

Anotei o nome do hotel e endereço. Confesso que fiquei preocupada e imaginei de algo sério tivesse acontecido. Sabia que Michael suspeitava que seu telefone estava grampeado e não se sentia à vontade para falar ao telefone. Me troquei, coloquei uma roupa formal, peguei minha pasta e fui ao seu encontro. 

Já tinham se passado alguns dias desde a última vez que nos vimos e eu estava preocupada com o horário e urgência da ligação. 

Chegando no hotel segui as instruções de Michael. Subi para seu quarto e bati na porta. Quando Michael abriu, lá estava ele, lindo, com aquele sorriso levado no rosto.

-Eis que chega a minha advogada das pernas longas.

-Você me chamou e aqui estou - disse rindo - aconteceu alguma coisa Michael? Fiquei preocupada com seu telefonema.

Eu gostaria de poder evitar o efeito que Michael tinha sobre mim, mas eu simplesmente não podia. Só o olhar dele me fazia estremecer por dentro.

-Aconteceu você. Queria te ver de novo, conversar com você.

-Tudo bem, adoraria conversar com você também, a noite está realmente linda para dormir.

Me lembrei do seu desenho e fui buscá-lo na minha pasta que deixei sobre uma mesa.

-Trouxe para você Michael, encontrei no meio dos seus "documentos urgentes" - disse rindo.

Michael pegou a folha com a borboleta desenhada, olhou para o desenho e subindo seu olhar de encontro ao meu, sorriu. Um sorriso meigo e carinhoso.

-Fiz esse desenho no dia em que pus meus olhos em você pela primeira vez, eu precisava te ver, mas não sabia se conseguiria, eu tinha pressa, sentia urgência em te ver. Agendei um horário com a secretária, mas eu não tinha certeza de que você estaria esperando por mim, ou se queria me ver - eu apenas sentia que sim.

-E eu queria, te esperei naquele dia. Você sabe o que provocou em mim quando me tocou.

-Mas eu não tinha certeza de nada, apenas senti você. Foi um alívio te ver na porta, linda, sorrindo para mim. Não errei dessa vez.
-Não, não errou. Parece que você está se habituando a acertar comigo. Eu disse rindo.
-Vem comigo - Michael segurou em minha mão e me levou para perto de uma janela, com uma vista linda.

Ficamos ali parados de mãos dadas, de pé, em frente ao sofá, olhando a vista por alguns instantes.
-Vêm, senta aqui comigo Karen … e nos acomodamos perto um do outro.
-Você não está curiosa sobre meu desenho?
-Sim, muito … Mas não gosto de invadir seus pensamentos. Quer me falar dele?

Michael fez uma pausa, olhou dentro dos meu olhos, e continuou

-Eu fiz esse desenho pensando em você. Você ouve minhas músicas?
-Claro. Você é um artista muito talentoso, sabe disso!
-As pessoas acham que todas as músicas que são compostas e gravadas tem algum significado pessoal para mim. A questão é que algumas músicas são compostas por outros artistas e são incluídas no meu repertório por serem bonitas, por combinar com minha voz, mas algumas delas não tem um significado real na minha vida.
-Imagino que cantar musicas autorais e de outros compositores devem ser experiências bem diferentes…
-Sim … e eu gosto de sentir as músicas quando canto e de dar à elas um sentido, emoção, mesmo quando não são compostas por mim. E quando estava pensando em você, me lembrei de Butterflies - música composta por um grupo de meninas negras, muito talentosas de Londres. Você trouxe meus sentimentos para essa música … Eu duvidei que você estaria esperando por mim naquele dia, que atenderia meus telefonemas, que estaria sorrindo para mim quando eu te dissesse “Oi" e resolvi deixar o desenho no meio dos documentos, na esperança de que você o encontrasse e gostasse da minha música o suficiente para se lembrar da canção.
-E você estava certo. Escutei sua música quando vi seu desenho, dormi com sua voz e suas borboletas. Posso ficar com ele?
-Fiz pensando em você - e Michael me entregou seu desenho, com um sorriso tímido e doce, desviando seu olhar do meu.

Aquele presente foi um dos presentes mais lindos que já recebi de alguém. Michael era uma pessoa cheia de amor, sensível aos sentimentos dos outros, ele se preocupava comigo e eu me preocupava com ele.

-Posso te fazer uma pergunta Michael?
-Me pergunte o que quiser …
-Onde você estava com sua cabeça quando ligou para o Dr. Taylor, para dar ao conhecimento dele que ficou impressionado com minhas “habilidades”, “discrição" e “conhecimento" e elogiando meu “desempenho”?

Michael gargalhava incessantemente e seu estado de espírito era contagiante. Eu ria com ele sem conseguir entender a razão pela qual ele tinha feito aquilo.

-Pode parar de rir e me contar o que aconteceu? Questionei rindo da sua risada.

Michael controlando o riso, me olhou nos olhos e levou suas mãos pelos meus cabelos. 

-Eu precisava que você soubesse como aquela noite foi maravilhosa para mim, quanto prazer eu tive com você. Você se entregou inteira para mim e eu queria que você soubesse disso. Além disso, eu não poderia te abandonar com um problema daqueles, havia uma câmera na entrada do escritório. Eu só percebi quando estava de saída, nunca tive motivos para prestar atenção nisso, mas naquela noite, tínhamos que tomar cuidado. Se você se prejudicasse por minha culpa, jamais me perdoaria…


-Michael, se eu tivesse me prejudicado, não teria sido por sua culpa, mas sim por minha responsabilidade. Eu poderia ter me afastado de você e evitado toda situação. Eu que estava no meu ambiente de trabalho e caberia a mim, manter a minha postura profissional. Mas não fiz isso.

Butterflies - Capítulo 30

Quando estávamos próximos ao hotel em que Michael estava hospedado, ele me deu um casaco grande, preto e com capuz para que eu ves...